Saturday, February 10, 2007

Devemos aceitar o aborto?

Não resisto a publicar neste espaço um trabalho apresentado numa aula de filosofia por uma amiga, de apenas 16 anos, a Joana…
Obrigado Joana por tudo aquilo que me ensinas, e por tudo aquilo que és para mim e para os nosso amigos…

Numa época recheada de discussões e controvérsias, onde cada um tem algo a dizer, esta pergunta é aquela que mais tem surgido, no nosso dia-a-dia. As possibilidades de resposta, embora claras, parecem gerar um conflito de valores, e uma grande distinção entre posições políticas, éticas, económicas. Chega-se até a gerar um pequeno conflito entre gerações e vivências, algo que não é surpresa, uma vez que, estamos perante um tema mais ou menos recente que pode não ser de fácil aceitação por parte de pessoas mais conservadoras. Sendo assim, as opiniões dividem-se.
A pergunta é mais do que clara. O acto de abortar consiste na interrupção da gestação de um feto, seja por morte súbita deste (causada por algum factor imprevisível) ou pela provocação da mesma, extraindo o ser do útero materno. Ora, devemos nós permitir que esta última opção seja realizada? Devemos nós permitir que se provoque o aborto?
Ao interromper uma gravidez, estamos a impedir a gestação de um ser humano. Ser este que, sendo inocente, frágil e indefeso não tem por onde se defender. E nem pode, de todo, escolher o direito à vida, a um crescimento feliz (e não confundamos felicidade com posse de bens materiais) e a uma passagem terrena como aquela da qual qualquer um de nós está a usufruir. Ora interromper a vida, não é mais do que suspendê-la. Matar é suspender a vida. O aborto é a morte e abortar é matar.
Caberá a qualquer pai ou mãe, decidir sobre a vida de um filho? Terão os pais daquelas crianças assassinadas por eles mesmos, uma posse total sobre elas, que lhes justifique o acto macabro que praticaram?
Não. Ninguém é pertença de ninguém. E isto prova-o o livre arbítrio com que fomos presenteados, pela nossa existência racional. De facto, os nossos pais, professores e educadores, têm uma missão: a de nos transmitir valores saudáveis e úteis para a nossa vida. Mas isto não faz com que lhes pertençamos e, consequentemente, não lhes dá o direito de decidir por nós e em relação a nós. Não, o papel de um pai ou de uma mãe não passa por escolher a vida ou morte do seu filho.
Sendo assim, não é aceitável que se diga que só cabe a cada pai/mãe decidir sobre a legitimidade ou ilegitimidade do aborto que pretende ou não provocar.
Também se tem por costume recente, a tentativa de adivinhação sobre a data na qual começa a vida. Será aos 2, aos 10, aos 12 meses? Será no dia anterior ao nascimento, ou no dia a seguir á concepção? Será que a vida começa a meio da gestação ou apenas quando bate o músculo cardíaco? Quando há vida? Sabemos que tudo começa por uma probabilidade. O facto de sermos como somos, fisicamente, foi-nos ditado no dia em que um óvulo foi penetrado por um espermatozóide, seleccionado ao acaso. Aí se deram as necessárias alterações e configurações para que, de uma coisa tão pequena, surgisse o que somos hoje. Ora, nesse dia, não estávamos nós presentes nesse ovo?
Certo que, psicologicamente, ainda não (uma vez que, até ao último dia, estaremos sujeitos a alterações na nossa forma de ser e de estar), mas fisicamente, não éramos nós? Merecemos a vida e estamos a vivê-la. Lutemos por quem, como nós, tem direito a esse milagre. Impeçamos o aborto, não o aceitemos.

7 comments:

Joana R said...

Obrigada por esta oportunidade e, principalmente, por aquilo que me ensinou, ao longo destes anos.
O Pe Carlos, mais do que uma educação na fé cristã, tem-me transmitido valores indispensáveis que me impedem de fraquejar, em certos momentos. Além disso é um exemplo, para mim e para os jovens com que lida, diariamente. Sabe bem ouvi-lo; sabe bem saber a sua opinião; sabe bem fazer parte do seu grupo; sabe bem conhecer um Jesus jovem e feliz através das suas palavras; sabe bem ter a sua amizade... Isto não se pode agradecer, mas espero, um dia, conseguir orgulhá-lo e mostrar-lhe que a sua presença foi indispensável, na minha vida.

Beijinho

Samuel said...

Só tenho mesmo que assinar por baixo o que a Joana disse...
Um Forte Abraço

Anonymous said...

À Joana um beijinho especial.
Ao Pe Carlos um obrigada por ajudar os jovens a fazer caminho!

Maria João said...

Também assino por baixo. É pena que nem todos o tenham feito no referendo.

Anonymous said...

Apesar de nao conhecer a Joana, assino as mesmas palavras de Carinho pelo Pe Carlos, nao que já nao lhe o tenha dito directamente por outras palvaras, mas acho que me sinto bem partilhar também aqui a minha manisfestação, pelo que já aprendi, pelo que já vivi, por tudo... E muito mais fica por dizer...Obrigado por tudo, amigo...Beijinhos

Luís said...

Mesmo que venha a ser legal, nunca será legítimo alguém poder decidir matar outro ser humano.

vanessa neves. said...

de facto, deve ser muito mais legitimo abandonar crianças, explorá-las ou simplesmente ve-las pelas ruas a passar fome.
todos nos devemos ter a opçao de escolha.
se uma adolescente por exemplo engravida, por falta de precauçoes, ou simplesmente porque aconteceu, o que voces defendem é qe essa mesma adolescente, tenha de ter a criança independentemente das suas condiçoes.
para alem de ela nao ter de sacrificar a sua vida inteira apenas por um erro a qestao nao é de todo essa, é o futuro da criança. respeito qem defende o nao, pois tem o direito à escolha, só nunca me apresentaram argumentos convincentes o suficiente para se subressairem em relac,ao aos meus.
enfim.. opinioes .