Wednesday, May 10, 2006





Ontem o Carlos, contou-me esta história que vou tentar reproduzir aqui:
A vida não é mais do que uma viagem de comboio: repleta de embarques e desembarques, salpicada por acidentes, surpresas agradáveis em algumas estações…
Ao nascer, subimos para o comboio e encontramo-nos com algumas pessoas que acreditamos que estarão sempre connosco nesta viagem: os nossos pais.
Lamentavelmente a verdade é outra.
Eles saíram numa qualquer estação, deixando-nos órfãos do seu carinho, amizade e da sua companhia insubstituível.
Apesar disto, nada impede que entrem outras pessoas que serão muito especiais para nós.
Chegam os nossos irmãos, amigos e esses maravilhosos amores...
De entre as pessoas que apanham este comboio, também haverá quem o faça como um simples passeio.
E outros também, que circulando pelo comboio, estarão sempre prontos para ajudar quem precisa.
Muitos, quando descem do comboio, deixam uma permanente saudade…
Outros passam tão desapercebidos que nem reparamos que desocuparam o lugar.
Às vezes, é curioso constatar que alguns passageiros, que nos são muito queridos, se instalam em noutras carruagens, diferentes da nossa.
Assim, fazemos o trajecto separados deles.
Mas, nada nos impede que, durante a viagem, percorramos a nossa carruagem com alguma dificuldade e cheguemos até eles...
Mas, lamentavelmente, não nos poderemos sentar ao seu lado, pois estará outra pessoa a ocupar o lugar.
Não importa, a viagem faz-se deste modo: cheio de desafios, sonhos, fantasias, esperas e despedidas... mas nunca de retornos.
Então, façamos esta viagem da melhor maneira possível…
Devemos relacionar-nos bem com todos os passageiros, procurando em cada um, o melhor deles.
Recordemos sempre que em algum ponto do trajecto, eles poderão hesitar ou vacilar e, provavelmente, vamos precisar de os entender…
Como nós também vacilamos muitas vezes, sempre haverá alguém que nos compreenda.
No fim, o grande mistério é que nunca saberemos em que estação vamos sair, nem, muito menos, onde sairão os nossos companheiros, nem sequer, aquele que está sentado ao nosso lado.
Fico a pensar se, quando sair do comboio, sentirei nostalgia...
Acredito que sim.
Separar-me de alguns amigos com quem fiz a viagem, será doloroso.
Deixar que os meus filhos sigam sozinhos, será muito triste.
Mas agarro-me à esperança que, em algum momento, chegarei à estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram.
O que me fará feliz, será pensar que colaborei para que a sua bagagem crescera e se tornasse valiosa.
Meu amigo, façamos com que a nossa estadia neste comboio seja tranquila e que tenha valido a pena.
Esforcemo-nos para que, quando chegue o momento de desembarcar, o nosso lugar vazio deixe saudades e umas lindas recordações para todos os que continuam a viagem

Assim termina a história, espero que tenha valido a pena o tempo que paraste nesta estação um bom dia para todos os que aqui entrarem.

3 comments:

Luísa said...

Bom dia, carlos.

Só acrescentaria, se me permitises, que talvez Deus seja o próprio comboio... Como nas Pegadas na Areia...

Um beijo grande.

Manuel said...

Olá Carlos,
Bonita parábola...

Simão said...

Se esse comboio é a Vida e se as estaçoes são a Morte, só há dois destinos possiveis. O do bilhete caro e sem ar condicionado e o do bilhete barato e muito confortavel. Mas quem conhece o destino do bilhete caro, vende tudo o que tem e compra-o.
A paz esteja contigo.